3º Fisiocongresso de 17a 19 de maio em Aachen

Como fanática do tema assoalho pélvico, o dia inaugural do 3º Fisiocongresso o ponto alto deste evento.

Ter a possibilidade de escutar 5 palestrantes especialistas do tema com suas mais novas descobertas foi muito enriquecedor para mim.

A palestra da Ulla Henscher, Estímulo da Continência em Idosos me mostrou com números concretos a atualidade e a problemática da continência. A tendência do aumento da problemática da incontinência é esperada com o constante aumento da expectativa de vida. Há diversas formas e modos da incontinência. Tendenciosamente a incontinência urinária e fecal, assim como a constipação é mais difundida entre as mulheres do que os entre os homens. Desta forma um treinamento de sucesso do assoalho pélvico (“Beckenbodentraining”) deve se concentrar não só no treinamento e na integração do assoalho pélvico no cotidiano, mas também conter informações sobre regras de comportamento no dia-a-dia, hábitos alimentares, de ingestão de líquidos e combate ao stress.

Em casos de incontinência fecal o esfíncter participa somente em 20% no fechamento anal, os outros 80% são assumidos por M. puborectalis. Isso fortalece mais uma vez a tendência do treinamento completo do assoalho pélvico na fisioterapia.

A Sra. Henscher também enfatizou os efeitos positivos de um treinamento regular na região do assoalho pélvico durante a gravidez até o parto e recomendou a posição vertical de nascimento. Infelizmente ela não entrou em mais detalhes sobre o tema. Isso teria alargado um pouco as margens do tema.

Também foi interessante a explicação detalhada da postura ideal durante a defecação. Poderíamos descrever como o assento “Kutscher”, com pés levemente levantados. Isso dá uma abertura e leve alongamento do assoalho pélvico. A Sra. Henscher não recomendou, de forma clara, a pressão ao defecar e aconselhou que o ato demora aproximadamente 11 segundos. Naturalmente isso depende muito da consistência das fezes. Quando a Sra. Henscher já estava neste tema espinhoso, também falou da sexualidade e sua importância e presença em pessoas de idade. A sexualidade permanece e é a maneira mais prazerosa de treinar a região do assoalho pélvico. No geral foi uma apresentação muito pertinente e abrangente sobre o tema da continência.

A próxima palestrante, Sra. Barbara Gödl-Purrer, falou sobre o tema Clinical Reasoning em pacientes com disfunção do assoalho pélvico e trouxe um exemplo clínico, pelo qual mostrou seu trabalho. No começo ela mencionou a importância da inclusão da razoabilidade clínica e do ICF. Nós analisamos sempre uma pessoa em seu contexto social e não apenas um assoalho pélvico.

No tema assoalho pélvico há diversos sistemas que participam, estes são: as funções músculo-esquelética e neural, a motora, a situação cognitiva, sexual, social, higiênica e hormonal.

A Sra. Gödl-Purrer contou sobre uma paciente de 43 anos, mãe de 2 crianças, após 2 abortos e uma curta histerectomia. A paciente tinha uma fraqueza nas articulações e sofria de leve incontinência. A Sra. Grödl-Purrer mencionou a problemática da mobilidade elevada da bexiga através da histerectomia. A falta do útero dá à bexiga mais espaço e propicia uma falta de estrutura orgânica. Um fator importante é também o controle motor, CPG (central patter generator). Isso está fortemente correlacionado com o sistema ventro-medial do assoalho pélvico e sua função como estabilizador profundo.

O que para mim sou relevante foi a entonação da importância de um treinamento dinâmico do assoalho pélvico. Isso possibilita integrar o treinamento do assoalho pélvico também no dia-a-dia. Naturalmente com a integração dos subsistemas da musculatura, estrutura das articulações e ligamentos. Além disso, nossos pensamentos e emoções são muito importantes para uma integração bem sucedida da função do assoalho pélvico no cotidiano. Desta forma, voltamos ao assunto da integração do ICF.

Para poder avaliar uma fraqueza no assoalho pélvico, necessitamos de um exame preciso e adequado. Por isso que o diagnóstico visual e palpável não são viáveis. Através disso pode-se também controlar o reflexo da tosse. Também se verifica se a função voluntária do assoalho pélvico está presente pode escolher uma forma de terapia adequada. A estimulação elétrica somente é aplicada excepcionalmente. Se a concentração voluntária do assoalho pélvico estiver presente e treinada, o caminho para um treinamento dinâmico desta região e sua integração no cotidiano está livre.

Uma palestra muito bem feita, mas infelizmente a parte prática não foi falada, como costuma acontecer.

Após a pausa teve uma palestra interativa de Bärbel Junginger e Dr. med. Kaven Bässler. Sobre os temas: disfunções musculares / mecanismos patológicos do assoalho pélvico e ao redor do assoalho.

Nesta palestra foram dadas aos palestrantes diversas informações muito interessantes e fotos ilustrativas. A eficácia do treinamento do assoalho pélvico não é estaticamente compilada na Alemanha, entretanto há estudos em outros países que demonstram um sucesso do treinamento do assoalho pélvico de 70%. O assoalho pélvico pertence ao músculo segmental, é composto por 70-90% de fibras slow twitch, cuja função é fortemente influenciada pela respiração. Assim faz mais sentido treinar o assoalho pélvico no cotidiano e em condicionamento, do que fazer um treinamento orientado para a força. Na micção, em casos normais primeiro o assoalho pélvico (M. levator ani) é contraído e depois o músculo relacionado.

As palestrantes também demonstraram de forma clara que a bexiga é levantada através de uma contração do assoalho pélvico. Também interessante a abordagem acerca da forma da vagina e sua ligação com o M. levator ani. Foi expressamente a constatação de que o M. puborectalis é esticado durante o nascimento em 3,3 vezes e em 6-33% casos o esfíncter anal rompe. Causas para uma fraqueza do assoalho pélvico podem ser :

  • Gravidez
  • Fraqueza nas articulações
  • Situação inicial genética
  • Deficiência hormonal
  • Obstipation mit exzessivem Pressen
  • Fumar
  • Bronquite crônica, Asma
  • Obesidade
  • Trabalhos corporais pesados

Para as células retais 3 fatores são determinantes:

  • Fumar
  • Obesidade
  • Terapia de reposição hormonal

Na pressão da bexiga são determinantes a hiperatividade do M. detrusor, o deszensus e uma fraqueza do assoalho pélvico.

O mais interessante para mim nesta palestra foi o estudo que constatou, através da ajuda do ultrassom (sonda vaginal, M. transverso abdominal, partes profundas do Multifidii), que em todo movimento que fazemos, as partes profundas do Multifidii, do transverso abdominal (transversus abdominis), o assoalho pélvico é a primeira musculatura que é ativada e somente depois os músculos que promovem os movimentos. Esses músculos são mais eficazes em 20% da força de contração. Não é necessário portanto 100% de contração para alcançar uma estabilidade segmental.

Isso me assegura e confirma em meu trabalho diário como fisioterapeuta e pedagoga do movimento.

Também nesta palestra senti falta da aplicação prática. Veio-me a pergunta, até que ponto o M. transversus abdominis e o assoalho pélvico trabalham como sinérgicos ou antagonistas e se também seria possível constatar pelo diagnóstico da ultrassonografia, se um músculo atua como concêntrico ou excêntrico.

Este estudo provoca pesquisas aprofundadas nesta área com a introdução de M. psoas, que certamente não pode faltar neste tema.

A última palestrante, Sra. Judith Krucker, abordou o tema BeBo®Training-o conceito de sucesso da Suíça e tinha uma posição forte, já que as mentes das participantes já estava cheia de informações. A Sra. Krucker finalizou o tema com alguns exercícios práticos.

No geral, esta tarde sobre o tema “Assoalho Pélvico” foi muito informativa. A mim faltaram as aplicações práticas e as discussões daí decorrentes.

Eu trabalho muito com esse tema, utilizo muitas figuras, estimulo as pacientes a encorpar a anatomia e integro isso no cotidiano. O tema Assoalho Pélvico é um fator importante não só para a continência, mas também tem influência sobre os problemas nas costas, joelhos, pés até o maxilar. Demonstrar isso e o tema assoalho pélvico, que eu considero o tema central para a fisioterapia, dissolvê-lo do seu estado de „muro florido“ e conferir o lugar adequado na fisioterapia é uma grande preocupação para mim.

Desejo agradecer profundamente às palestrantes, as quais reconheceram claramente a importância do tema e demonstraram uma animada troca entre as mais diversas orientações acadêmicas.

Com os melhores agradecimentos,

Helene Moser

Fisioterapia, Método Franklin®, Pedagogia do Movimento